Saturday, November 28, 2009

"Google Books Initiative" continua a inquietar a Europa

Acabei de ler que o Ministro da Cultura francês, Frederic Mitterrand, fez um apelo junto dos membros da Comissão Europeia para lutarem contra a empresa Google. Adianta que a responsabilidade da digitalização de livros a uma escala global, como é o objectivo daquela empresa, deve competir aos governos e não a uma empresa privada. Bom, se estivéssemos à espera dos governos para implementar um projecto tão arrojado, certamente nunca mais o teríamos, sobretudo porque se quer sempre proteger interesses de alguns, limitando o acesso à informação. Graças a esta vontade de derrotar a empresa Google, hoje temos a Europeana. Até àquela empresa ficamos a dever ter hoje a Europeana! Também sou uma fã da Europeana, enquanto utilizadora, mas custa-me pensar que esta surge como uma arma de "arremesso" numa batalha encomendada pelo Ministro da Cultura francês.

Obviamente que há aqui uma vontade enorme de controlar os conteúdos e a própria Internet, invocando-se algumas razões e aplicando-se muitas penas, sem se procurar novas alternativas que possam contribuir para o bem estar dos mais directamente envolvidos: autores, editores e público. Porque não seguir com atenção algumas experiências que estão a ser feitas neste campo e que poderão ajudar a resolver um problema com satisfação para todas as partes? Vejamos o que estão a fazer alguns autores a título de experiência.

Há autores que estão a disponibilizar gratuitamente a totalidade das suas obras na Internet com base na "Creative Commons licence", como é exemplo disso, James Boyle com o seu livro "Public Domain". Podemos ler num artigo escrito por este autor, que nos fala de um novo modelo de negócio, que está a ser testado, em que se facilita e não se proíbe a cópia. O download gratuito de um livro pode ser positivo para o autor e para a editora, porque se trata de uma estratégia de marketing que funciona no sentido de divulgar o conteúdo de obras através do texto que circula gratuitamente na Internet. O negócio está na venda dos "Volumes" que as pessoas acabam por comprar, porque tiveram acesso à informação que circulou livremente na Internet. Há sempre lugar a perdas nas vendas dos livros, mesmo quando os canais de venda são os tradicionais. A Internet contribui para uma divulgação a uma escala global e traz possibilidades de maiores vendas e de reconhecimento para o autor. Aquilo que ele mais teme, como investigador e autor, é ser desconhecido.


Sunday, September 13, 2009

O que é a Biblioteca 2.0 ?

"Biblioteca 2.0" foi um termo criado por Michael Casey (1) quando este começou a pensar nas implicações que a Web 2.0 podia ter para as bibliotecas: de que maneira a Web 2.0 poderia contribuir para melhorar os serviços das bibliotecas? Casey lançou o seu blog em Setembro de 2005 (www.library.crunch.com, actualizado agora para michael e casey). Bloguistas e bibliotecários de todo o mundo juntaram-se à discussão.

A Web 2.0 é a Web participativa ("participatory Web") e tem raízes em tecnologias muito simples como os blogs, wikis e outras. A biblioteca 2.0 segue de perto este modelo, com a finalidade de garantir o «feed-back» dos utilizadores e ser capaz de, por esta via, melhorar os seus serviços. Estão em causa novas tecnologias que têm que ser integradas nos sistemas de informação e novas competências para melhor utilizar as tecnologias emergentes em proveito das bibliotecas. Também é preciso uma nova atitude. É comum dizer-se que a Web 2.0 é tecnologia e "atitude".

Podemos concluir que a Web 2.0 é a alavanca para a mudança dentro da biblioteca. As bibliotecas que não forem capazes de se adaptar a este novo modelo estão ameaçadas de extinção.


(1) CASEY, Michael E. and SAVASTINUK, Laura C. - Library 2.0: A Guide to participatory service. Medford, Information Today, Inc., 2007.


Monday, September 07, 2009

O futuro das bibliotecas com ou sem livros

Este é o título de um artigo muito interessante publicado no CNN.com. Fala mais uma vez daquilo que toda a gente sabe fora e dentro das bibliotecas. As bibliotecas têm que mudar a forma como interagem com os utilizadores se quiserem sobreviver num ambiente dominado pelo Google e pelas redes sociais.

A Biblioteca só tem um caminho que é o de aceitar os novos desafios e assumir uma atitude de mudança. Onde estão os utilizadores da biblioteca? No Facebook, no Flickr, no Twitter, no Blog ou no Second Life? Pois, é também para lá que a biblioteca deverá “mudar-se”… É nesses novos ambientes que deverá esforçar-se por prestar os seus serviços aos utilizadores habituais e, naturalmente, atrair novos.

Mas, esta mudança deve ser assumida não só porque é trendy, mas também porque se torna mais fácil melhorar os serviços neste ambiente. Todas estas ferramentas da Web 2.0 têm mecanismos que permitem uma maior interacção entre as bibliotecas e os utilizadores. Há feed-back permanente que é automaticamente enviado e guardado nos sistemas de informação. Os utilizadores podem participar nos serviços que lhe são disponibilizados, acrescentam "tags" (social "tagging") nos documentos que são do seu interesse, ou escrevem análises e críticas (reviews), que publicam e partilham com outros utilizadores.

Michael Stephens, um Bibliotecário 2.0 (o Bibliotecário que se integra numa filosofia de trabalho Biblioteca 2.0) diz, num artigo que publica no seu blog “Tame The Web”, que aconselha os seus alunos a experimentarem aplicações típicas da Web 2.0, como o Facebook, o Twitter, o Blog e outras. Termina o seu artigo dizendo que ficaria muito desanimado se os seus alunos não aprendessem a trabalhar com estas ferramentas e todas as novas tecnologias emergentes.

Curiosamente, Michael Stephens, num artigo que publicou no blog ALA Techsource adianta que todas estas ferramentas também contribuem para facilitar o ensino à distância (e-learning) e diz ainda que tem tido melhores resultados com cursos on-line (para profissionais de bibliotecas) do que os tradicionais cursos presenciais.

Sunday, June 28, 2009

Google and FRBR

If Google discovers how useful FRBR may be to organize web content (1), the web FRBRization will take place immediately. The first signs are here to be seen. Libraries move so slow that they will be rapidly overcome by Google. Maybe then, they will start doing something, but too late! One can read in a recent paper about the emerging cataloguing rules (2)the following: "Despite our long history of service to users, it will be a continuing struggle for libraries to interact as equals with the key players in the fast-paced information age; it will be impossible for us to do so if we do not have a unified vision allowing us to harness our collective strength as we go forward."

(1) http://www.frbr.org/2009/06/25/google-and-frbr

(2) http://www.dlib.org/dlib/january07/coyle/01coyle.html

O livro FRAD (Functional Requirements for Authority Data) acabou de ser publicado

Também esta publicação se reveste da maior importância para quem está a fazer investigação nesta área e não só. As nossas bibliotecas também precisam de começar a aplicar os FRBR, os FRAD e os FRSAD aos seus catálogos. Ora, a publicação destas novas obras não está a ser divulgada no site da IFLA. É pena, pois uma maior divulgação destes documentos contribuíriam para um maior sucesso e celeridade de aplicação destes novos modelos. Não é por acaso que os FRBR já fizeram dez anos sem que alguma melhoria na organização da informação nos nossos catálogos se tivesse feito sentir. A aquisição desta obra pode ser feita aqui.

Quem estiver interessado em seguir a discussão destes assuntos pode visitar FRBR blog.

Functional Requirements for Subject Authority Data (FRSAD)

A versão "draft" dos "Functional Requirements for Subject Authority Data" está disponível para revisão e sugere-se a sua consulta.
Os FRSAD seguem obviamente o modelo FRBR, no que diz respeito aos registos de autoridade assunto. O assunto foi sempre um dos pontos de acesso mais relevantes num catálogo, talvez aquele a o utilizador mais frequentemente recorre. Para garantir a eficácia de uma pesquisa baseada neste ponto de acesso, é importante garantir a integração de uma linguagem controlada no sistema de recuperação da informação. Esta integração faz sentido quando os termos controlados (autoridades assunto) estão ligados aos registos bibliográficos. Desta forma, é possível reunir e recuperar a partir de um ponto do catálogo, toda a informação que existe sobre um dado assunto. Este princípio tão importante, extensivo a outros pontos de acesso do catálogo, consagrado em Paris, em 1961 e que faz parte da famosa "Declaração de Princípios", conhecida por "Princípios de Paris", raramente está presente nos catálogos das nossas bibliotecas. Urge, pois, melhorar os nossos catálogos para começar a prestar melhores serviços aos utilizadores.

Nota: FRSAD é a nova designação de FRSAR (Functional Requirements for Subject Authority Records).

Friday, June 05, 2009

É preciso descobrir uma nova fórmula para a biblioteca

As bibliotecas perderam o papel de principais fornecedores da informação e foram ultrapassados por outros serviços disponíveis na Web. Embora as bibliotecas tenham na sua posse materiais ainda difíceis de encontrar noutros serviços, a forma como assumem o serviço ao utilizador e a sua interface com aqueles, colocam-a numa situação de desigualdade quando comparadas com a Amazon ou o Google. Se as bibliotecas quiserem evitar ser marginalizadas no futuro têm que mudar drasticamente a forma como prestam serviços ao utilizador.

(tradução de um pequeno excerto da primeira refª incluída na bibliografia citada)

Bibliografia

(1) - http://www.dlib.org/dlib/january07/coyle/01coyle.html


(2) - http://www.nla.gov.au/nla/staffpaper/2007/documents/Dellit-Fitch-Rethinkingthecatalogue.pdf

Sunday, December 14, 2008

TAG GALAXY - Flickr

A Tag Galaxy é uma nova aplicação (API) do Flickr. É particularmente interessante o modo como funciona. Apresentada sob a forma de globo (3D), onde se reúnem camadas de fotografias; clickando sobre uma delas, pode obter-se mais informação sobre essa fotografia. Este trabalho foi desenvolvido com base nas tags que os utilizadores do Flickr usam para identificar os seus trabalhos. O projecto é da autoria de Steven Wood da Georg-Simon-Ohm University of Applied Sciences Nuremberg.

Vejam como funciona aqui.

Seria interessante poder aplicar este conceito, a ideia subjacente à «Tag Galaxy», nas nossas bibliotecas.

Monday, December 01, 2008

Sobre o carácter abstracto da Manifestação

Passo a citar Robert Maxwell(1): "Muitas pessoas consideram a distinção entre expressão e manifestação como sendo essencialmente uma distinção entre concreto e abstracto e dizem que a expressão é abstracta e a manifestação concreta. Isto é de algum modo compreensível, uma vez que a manifestação é o nível ao qual uma expressão toma pela primeira vez uma forma física.

Tal como vem explícito no FRBR Final Report: "Como uma entidade, a manifestação representa todos os objectos físicos que têm as mesmas características, quer quanto ao seu conteúdo intelectual quer quanto à sua forma física". A palavra "representa" é importante: a manifestação não é concreta, mas representa alguma coisa. Representa o que todas as instâncias (exemplares) da manifestação têm em comum, o que quer dizer, o seu conteúdo intelectual e a forma física no sentido mais estrito (incluindo a sua apresentação gráfica). Na verdade, o que é concreto é cada exemplar, isto é, o item FRBR, e não a manifestação.

O FRAD "Conceptual Model" (3.4, p. 10) também comenta o carácter abstracto da manifestação. "Se a realização envolve a produção de múltiplas cópias, a manifestação abrange o conjunto completo de cópias físicas produzidas. No último caso, a entidade descrita para fins de catalogação é, com efeito, uma abstracção derivada das características de uma cópia única que se presume sejam partilhadas por todas as cópias do conjunto que a manifestação abrange."

(1)